Regras para privatização da Copasa devem permitir disputa, avalia colunista
Maurício Portugal, colunista da CNN Infra, diz que regras buscam afastar “investidores aventureiros”
O modelo definido pelo governo de Minas Gerais para a privatização da Copasa deve atrair interessados, apesar das exigências impostas aos participantes, avalia o colunista da CNN Infra Maurício Portugal.
Na última semana, o governo mineiro publicou o manual da etapa prévia para seleção do chamado investidor de referência, que poderá adquirir até 30% da companhia. A fase de cadastramento e qualificação dos interessados começou nesta sexta-feira (24) e vai até 8 de maio.
Entre as regras de qualificação, os interessados terão de comprovar R$ 6,3 bilhões em investimentos em infraestrutura realizados nos últimos 20 anos. Segundo Portugal, esses investimentos precisam estar concentrados em cinco períodos anuais e podem ter sido feitos em setores como saneamento, mobilidade urbana, energia, aeroportos, portos e rodovias.
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Publicado em 2026-04-27 12:32:36Segundo o colunista, as regras buscam selecionar um investidor com experiência relevante em infraestrutura, mas não necessariamente especializado em saneamento.
“Não querem atrair qualquer um ou investidores aventureiros”, afirmou ao comentar os critérios de qualificação. A intenção é evitar a entrada de um participante sem capacidade de cumprir os compromissos da companhia.
Ele afirma, ainda, que investidores que já participam do capital da Copasa podem olhar a operação com interesse. Entre os acionistas fora do governo de Minas, Portugal citou grupos como Perfin, Goldman Sachs e BlackRock.
O colunista da CNN Infra também fez ressalvas ao desenho da operação. Portugal disse esperar que o leilão da Copasa seja melhor estruturado do que o da Sabesp. Na avaliação dele, no processo paulista, houve um problema na precificação das ações em circulação, o que teria feito o governo “deixar dinheiro na mesa”.
Na avaliação dele, a privatização da Copasa entrou em uma nova etapa depois da mudança na Constituição de Minas Gerais, que antes exigia referendo para a venda da companhia e de sua controlada, a Copanor. Portugal classificou o processo como uma “novela” de mais de quatro anos, acompanhada há tempos pelo mercado.
“O mercado está esperando há anos”, afirmou.
*Sob supervisão de Daniel Rittner