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O decano do Supremo, ministro Gilmar Mendes, começou a semana declarando que a crise é geral, não apenas do Supremo. É verdade. Mas, se está no Supremo, derrama-se pelo Judiciário, até chegar às pequenas causas. Quando alguém escreve “ladrão” numa faixa e a Polícia Federal deduz que se refere ao presidente da República, ou um deputado pronuncia “ladrão” e um general entende que se refere ao seu comandante supremo, então a crise também está no Poder Executivo e na área militar. Quando o tesoureiro de campanha do presidente do Senado é investigado por dinheiro da previdência no Master, ou o presidente da Câmara vai com o jatinho do Tigrinho para paraíso fiscal e de jogatina no Caribe, então a crise também está no Legislativo.
Crise nos três poderes e também no dito “quarto poder”. Certamente a dosimetria vai discutir as penas absurdas de gente condenada por atacado, sem individualização dos crimes, sem juiz natural, com prisão por perfídia. Vão aparecer ícones evidentes de injustiça, como o senhor Hahn, condenado a 14 anos por doar R$ 500 para fretar ônibus para Brasília; ou a Débora, condenada por associação criminosa armada para derrubar o Estado de Direito – como se batom fosse arma –, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado, sem que tivesse prejudicado uma única molécula do granito da deusa da Justiça. O quarto poder vai perceber que ficou em silêncio diante do arbítrio, da injustiça, do exagero, da inconstitucionalidade, do juízo de exceção proibido no inciso XXXVII do pétreo artigo 5.º da Constituição – e vai perceber que também entrou em profunda crise nos valores jornalísticos.
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Publicado em 2026-05-05 10:37:31WhatsApp: entre no grupo e receba as colunas do Alexandre Garcia
Esses quatro poderes não estão sós. O brasileiro que se adapta à exceção, que não percebe que em democracia precisa fiscalizar, criticar, cobrar e votar bem, também está em crise de cidadania – e essa gera todas as demais, porque permite, na sua alienação, que usem seus poderes e o fruto de seu trabalho para se comportar indecorosamente, desrespeitar as leis, agir como se não existissem “213 milhões de pequenos tiranos” a aspirar respeito aos impostos que são obrigados a pagar, aos votos que são obrigados a registrar nas urnas. Se está tudo errado, e por isso estamos atrasados em relação ao mundo, atrás de 111 países, com segurança física e jurídica mambembes, já não seria hora de dar um reset no hardware deste país?
Obviamente o leitor vai rir da utopia. Temos superabundância de riqueza natural, o que torna pecaminoso o nosso imobilismo. Mas, com a cultura que temos, só numa epifania nacional. Uma redescoberta de nós mesmos, de nossos lares, de nossas escolas, de nossas instituições. Da meritocracia, do livre mercado, das liberdades, da iniciativa privada, do direito de propriedade, do respeito à lei e à ética. Gilmar Mendes reconhece a crise. Teria ele ideia de por onde começar a trocar crise por paz, bem-estar, estabilidade, fartura? Penso que se deve começar pela menor das minorias: o indivíduo. Cada um melhorando sua própria cabeça e perguntando o que poderia fazer para melhorar a vida e de sua família. A soma disso poderia ser um reinício. Uma nova descoberta. Novos Cabrais avistando a nova e rica terra.
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Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos