Reunião entre EUA e China teve divergências de prioridade; entenda

Líderes de EUA e China debateram comércio bilateral, Taiwan, Oriente Médio e guerra na Ucrânia em encontro no Grande Salão do Povo; análise é de Américo Martins para o CNN Novo Dia

Donald Trump e Xi Jinping realizaram uma reunião bilateral na noite dessa quarta-feira (13) no Grande Salão do Povo, em Pequim. O encontro, amplamente acompanhado pela comunidade internacional, abordou temas como comércio bilateral, a questão de Taiwan, o conflito no Oriente Médio e a guerra na Ucrânia.

De acordo com o analista Américo Martins, que acompanha os desdobramentos da visita para o CNN Novo Dia, os dois lados divulgaram comunicados detalhando o que foi discutido — e as diferenças entre as narrativas de cada país chamam atenção. "Existe uma discrepância no que cada lado resolveu destacar como o principal nessas conversas", afirmou Américo.

Xi Jinping pede "nova era" nas relações com os EUA

Xi Jinping teria pedido que as relações entre os dois países entrassem no que chamou de uma "nova era", caracterizada por uma relação estratégica, construtiva e estável. Segundo o comunicado chinês, confirmado também pelo lado americano, Xi Jinping defendeu que essa era seja marcada não pela competição entre os dois países, mas pela cooperação, com uma competição bem regulamentada e diferenças administráveis entre as duas superpotências.

Recomendamos para você

O líder chinês também destacou que a questão de Taiwan é, segundo Américo, "a questão mais importante das relações entre China e Estados Unidos". Américo Martins explica que essa é uma forma diplomática de Pequim sinalizar que não quer interferência americana nas tentativas chinesas de eventualmente retomar o controle da ilha, que a China considera parte de seu território, mas que na prática é autogovernada. Xi Jinping alertou ainda que, se essa questão não for tratada adequadamente, os dois países podem entrar em uma situação "extremamente perigosa".

EUA destacam Irã, fentanil e Estreito de Hormuz

O lado americano, por sua vez, preferiu destacar outros temas. Segundo o comunicado dos Estados Unidos, os chineses teriam concordado que o Estreito de Hormuz precisa ser reaberto, o que representaria uma pressão sobre o Irã. Os americanos também ressaltaram a questão do fentanil — droga química que entra em grande quantidade no território americano — e a necessidade de cooperação da China para combater o problema. Sobre Taiwan, o comunicado americano praticamente não menciona o tema, indicando que os dois lados teriam falado muito pouco sobre o assunto.

Os chineses, por sua vez, afirmaram que pretendem ajudar a encontrar caminhos para o fim da guerra no Oriente Médio e também para o encerramento do conflito na Ucrânia. A Casa Branca apresentou esse primeiro dia de negociações de forma positiva, fazendo questão de destacar o Irã como tema central das conversas.

Zelensky faz apelo e Ucrânia segue sob ataques intensos

Por fim, reportando diretamente de Lviv, na Ucrânia, Américo Martins descreveu o cenário de tensão vivido no país. "Estamos há muitos quilômetros de distância da linha de frente, mas mesmo aqui em Lviv, perto da fronteira com a Polônia, ontem tivemos muitos alarmes de possíveis ataques com drones dos russos", relatou. Segundo as Forças Armadas da Ucrânia, na madrugada do dia da reportagem, as forças russas lançaram 675 drones e 56 mísseis contra diversos pontos do território ucraniano, incluindo regiões próximas à fronteira com a Polônia. Pelo menos três pessoas morreram e 32 ficaram feridas nos ataques.

Diante desse contexto, Volodymyr Zelensky aproveitou o encontro entre Trump e Xi Jinping para fazer um apelo aos americanos. Zelensky acredita que, se Trump pressionar Xi Jinping, o líder chinês poderá, por sua vez, pressionar Vladimir Putin para buscar um fim para a guerra, que já dura mais de quatro anos. "Essa falta de atenção com a guerra na Ucrânia preocupa muito as autoridades ucranianas", destacou Américo, que segue acompanhando a cobertura do conflito no leste europeu.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.


Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/reuniao-entre-eua-e-china-teve-divergencias-de-prioridade-entenda/