Santander aposta em renegociação e maior rigor no crédito rural
Instituição prioriza garantias, renegocia dívidas e mantém agro como pilar, apesar de alta na inadimplência
O Santander Brasil tem ajustado sua atuação no agronegócio para enfrentar um momento mais desafiador do crédito rural, marcado por margens mais apertadas no campo e aumento pontual da inadimplência. Durante a Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), o superintendente executivo de agronegócio do banco, Ricardo Tessari, destacou que a instituição mantém cerca de R$ 100 bilhões em ativos distribuídos entre produtores rurais e toda a cadeia, reforçando o peso estratégico do setor dentro do banco.
"Mesmo com a piora nas condições de mercado, a avaliação é de que o agronegócio continua sendo um pilar estrutural da economia brasileira e da própria instituição", afirma.
Tessari ressalta que se trata de um setor cíclico, com períodos mais favoráveis e outros mais desafiadores, mas que permanece fundamental para o PIB e para a estratégia do Santander. Por isso, a expectativa não é de retração relevante, mas de manutenção do portfólio com ajustes na forma de atuação.
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Publicado em 2026-05-01 10:42:40Alongamento de prazos e dívidas
Na prática, o banco tem buscado apoiar produtores que enfrentam compressão de margens, principalmente por meio do alongamento de prazos e da renegociação de dívidas. A atuação tem sido mais próxima e antecipada, com equipes entrando em contato com clientes antes mesmo do vencimento das operações para propor soluções compatíveis com a capacidade de pagamento.
"Aqueles que são muito alavancados, conversamos antes, indicamos ativos que podem ser vendidos, ajudamos na gestão das contas", explica.
Segundo o executivo, a inadimplência vive um momento delicado, com aumento no volume de atrasos, mas a estratégia é justamente evitar que esses casos se agravem por meio de uma abordagem preventiva.
Ao mesmo tempo, o Santander tem reforçado a exigência de garantias nas novas operações, priorizando estruturas com garantias reais, como a alienação fiduciária. A lógica é concentrar a concessão de crédito em produtores com maior capacidade financeira e ativos que ofereçam mais segurança, mantendo relações de longo prazo e reduzindo o risco da carteira. “Queremos trabalhar com quem tem capacidade de financiamento e boas garantias, para avançarmos juntos”, indicou Tessari.
Momento positivo para alguns
Apesar da maior seletividade no crédito ao produtor rural, o banco afirma não enfrentar restrições relevantes em outras frentes da cadeia do agronegócio. A agroindústria, por exemplo, atravessa um momento mais positivo, com investimentos fortes no setor de etanol e biodiesel, e há financiamento disponível tanto para operações de exportação quanto de importação.
Na última quarta-feira, o banco divulgo balanço financeiro, com queda de 1,9% no lucro líquido em relação ao ano passado, para R$ 3,8 bilhões. A inadimplência geral em 90 dias aumentou de 2,8% há um ano para 3,4% no último trimestre.
A carteira de crédito rural do Santander somou R$ 9 bilhões em março, na comparação com R$ 10,3 bilhões um ano antes.