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Todos temos um forte desejo de conquistar algo grande, de deixar nossa marca, um legado para a posteridade. E com as mulheres não é diferente. Existe em nós um impulso natural de produzir, criar, realizar, fazer diferença, e não há nada mais humano do que isso.
Ao longo das últimas décadas, a revolução feminista consolidou a ideia de que, por séculos, as mulheres estiveram limitadas a papéis que restringiam seu potencial de transformação. Nesse contexto, ser mãe, o lar e as responsabilidades familiares passaram a ser vistos, muitas vezes, como obstáculos a uma vida de realização plena.
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Publicado em 2026-05-10 00:00:39A partir daí, ganhou força a percepção de que propósito, reconhecimento e impacto estariam necessariamente fora de casa – no mercado de trabalho, na carreira, nas conquistas individuais. E parte das mulheres passou a reavaliar ou até rejeitar a construção de uma família, de ser mãe.
Em um mundo que prioriza resultados imediatos, a profissão 'mãe' segue na contramão. Seus frutos são de longo prazo, muitas vezes intangíveis, mas profundamente transformadores
É nesse cenário que vivemos hoje. Na busca por realização pessoal, muitas têm adiado ou renunciado ao papel de mãe. O desejo legítimo de alcançar reconhecimento, independência ou relevância social, em alguns casos, acaba competindo com a possibilidade de construir algo igualmente ou até mais duradouro. Afinal, por mais significativa que seja uma carreira, poucas experiências têm um impacto tão profundo e contínuo quanto gerar, nutrir e formar seres humanos.
Embora seja raro encontrar quem não reconheça, ao menos em teoria, a importância das mães, na prática esse papel tem sido frequentemente desvalorizado. Parte disso pode vir do fato de que a maternidade não se encaixa nos critérios tradicionais de sucesso. Não há métricas claras, promoções, bônus ou reconhecimento público proporcional ao esforço envolvido. É um trabalho silencioso e, quase sempre, invisível.
Mães não batem ponto, não passam por avaliações formais de desempenho nem recebem prêmios por produtividade. Não há processos seletivos rigorosos nem relatórios que mensurem resultados. Talvez por isso, em uma sociedade orientada por performance e validação externa, a maternidade seja subestimada, inclusive pelas próprias mulheres.
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Sem uma perspectiva mais ampla sobre a importância do papel de mãe, é fácil tratá-lo como algo secundário. Investimos anos em formação acadêmica e desenvolvimento profissional, mas raramente nos preparamos com a mesma seriedade para ser mãe. Pouco se fala sobre o preparo emocional, ético e relacional necessário para criar outra pessoa.
No entanto, o ato de ser mãe, longe de ser um desperdício de potencial, é uma das formas mais completas de aplicá-lo. Exige presença, inteligência emocional, criatividade, disciplina, resiliência e, sobretudo, compromisso. Não se trata de um caminho fácil, nem idealizado, mas de uma escolha que carrega um tipo de valor que dificilmente pode ser replicado em outras áreas.
Em um mundo que prioriza resultados imediatos, a profissão “mãe” segue na contramão. Seus frutos são de longo prazo, muitas vezes intangíveis, mas profundamente transformadores. Talvez esteja aí o motivo de tanta ambivalência em torno dela e, ao mesmo tempo, sua grandeza.
No fim, a pergunta permanece. Vale a pena? Para muitas mulheres, a resposta não está em abrir mão de uma coisa pela outra, mas em reconhecer que formar vidas também é uma forma poderosa de deixar um legado.
Renata Veras é mãe de Valentina e Carolina, mestre em Teologia com especialização em Psicopedagogia e autora do livro "Maternidade sem apuros: a graça suficiente de Cristo para mães insuficientes".
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos