Uma vacina personalizada para tratar glioblastoma, um tipo de câncer cerebral incurável e de rápida evolução, está em fase de estudos. O imunizante indicou em ensaios clínicos iniciais uma resposta imunológica robusta e que parece aumentar a sobrevida de pacientes após a cirurgia de remoção do tumor.

O estudo é co-liderado por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Washington, em Saint Louis, e está no primeiro estágio de análise. Os resultados desta primeira fase indicaram que, em pacientes com formas mais agressivas da doença, não houve efeitos colaterais e demonstrou mais eficácia que apenas a cirurgia, seguida de quimioradioterapia padrão. Um paciente sobrevivente de longo prazo pode permanecer até cinco anos sem recidiva da doença após o tratamento.

“Estamos extremamente animados com esses resultados”, declarou Tanner M. Johanns, autor principal do estudo e professor assistente da Divisão de Oncologia da Faculdade de Medicina de Washington. “Este tipo de vacina é inédito para o glioblastoma, e é empolgante pensar em como podemos aproveitar essa plataforma de vacina terapêutica de DNA individualizada contra o câncer para causar um impacto positivo”, complementou ele.

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A vacina utiliza moléculas de DNA modificadas para estimular o sistema imunológico do paciente, que possui proteínas específicas do tumor. Ao ativar o sistema imunológico, ele é capaz de reconhecer essas proteínas e eliminar as células tumorais com maior eficácia.

Os estudos alertam que o imunizante não apresenta grande eficácia no que diz respeito a evitar a recorrência de tumores. O glioblastoma pode evoluir de forma que seja capaz de “driblar” o ataque imunológico promovido pela vacina. No entanto, os pesquisadores afirmam que ela foi desenvolvida para reconhecer grande parte das células cancerígenas, o que já é benéfico para o paciente.

Outra vantagem do tratamento é transformar o glioblastoma, chamado de “tumor frio” por conseguir esconder o ambiente tumoral do sistema imunológico, em um tumor detectável e suscetível a erradicação mediada pelo próprio organismo. A vacina consegue, portanto, melhorar a resposta imunológica do paciente, mirando em proteínas da célula cancerígena e tornando o “ambiente” do tumor mais favorável aos tratamentos convencionais.

“Escolhemos usar como base a plataforma de DNA porque nos permite atingir mais proteínas do que qualquer vacina anterior foi capaz”, disse Johanns. “Nossa ideia era que, se ampliássemos essa gama de respostas imunológicas, a vacina seria mais potente em comparação com outras.”

A plataforma de vacina baseada em DNA conseguiu, até o momento, buscar até 40 proteínas específicas do tumor de cada paciente — o dobro do número de proteínas que haviam sido alvo de qualquer terapia vacinal contra o câncer até o momento, o que aumenta significativamente a chance de sucesso.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/vacina-personalizada-e-promissora-para-cancer-cerebral-diz-estudo/