O governo lançou nesta segunda-feira (4) um pacote para ajudar endividados a se livrar do pior. Cujo principal objetivo é eleitoreiro e não atinge as causas do fato de tanta gente estar enrolada com dívidas, especialmente no crédito rotativo, o pior deles. Para quem fica devendo, claro.

Lula dá claros sinais de não reconhecer qual é o problema principal. O mesmo, aliás, que não deixou que a isenção de imposto de renda para quem ganha até cinco mil se transformasse numa bala de prata eleitoral. A renda das famílias evidentemente não é suficiente.

Sim, a inflação não explodiu, mas para a baixa renda tudo é muito caro. Pior ainda para quem joga para o mês que vem as despesas do dia a dia. Os juros são sufocantes. Juros a respeito dos quais a política fiscal do governo tem enorme responsabilidade. Sem que Lula se digne a reconhecer um fato tão básico.

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Ao contrário, ele resvalou em categorias morais ao insinuar, em um improviso, que os próprios endividados não sabem se comportar, e ao empurrar para as bets – um vício – grande parte das causas de excessivo endividamento e consequente alta inadimplência.

Para quem está sufocado em dívidas, qualquer alívio é bem vindo, mas dura quanto tempo? Até a hora da cobrança de mais uma ida ao fornecedor de crédito?

O horizonte de Lula é exclusivamente o de outubro, o das eleições. Seu programa visa desenrolar o candidato à reeleição da situação de desaprovação alta, popularidade que não sai do patamar perigoso há anos e uma atmosfera geral de cansaço e desânimo. É bem provável que ele terá de buscar mais uma bala de prata ainda.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/waack-lula-tenta-desenrolar-a-propria-desaprovacao/