Morre sobrevivente do acidente com Césio-137 em Goiás
Lucimar das Neves Ferreira faleceu quase 40 anos após o maior desastre radiológico do mundo fora de usinas nucleares
Lucimar das Neves Ferreira, de 53 anos, um dos sobreviventes do acidente com o Césio-137 ocorrido em 1987 em Goiânia, foi encontrado morto no último sábado (25) em Goiás. A causa da morte não foi divulgada. A informação foi publicada pela Associação das Vítimas do Césio-137 nas redes sociais.
Na época do acidente, Lucimar tinha 14 anos. Ele era irmão de Leide das Neves, criança que morreu semanas após entrar em contato com o pó de Césio-137 e ingerir partículas radioativas.
No ano seguinte, em 1988, o governo de Goiás criou a Fundação Leide das Neves Ferreira com o objetivo de monitorar os efeitos da exposição à radiação ionizante nas pessoas afetadas pelo acidente, segundo informações da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás.
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Publicado em 2026-09-13 06:00:00Lourdes das Neves, de 74 anos, mãe de Leide e Lucimar, afirmou em vídeo publicado pela associação que, na madrugada do acidente, a polícia utilizou um medidor de radiação para separar as pessoas com menor incidência de contaminação, que foram levadas para dentro do Estádio Olímpico, daquelas com maior incidência, que permaneceram do lado de fora.
"Separou eu e a Leide para entrar. Eu peguei ela, tinha uma mureta, coloquei ela em cima e abracei ela e esperei Lucimar descer. (Eles) viram que tinha algo de errado, voltaram a medir, e viu que era ela, ai colocou ela e Lucimar no ônibus e eu fiquei no estádio", disse Lourdes em vídeo. Algumas vítimas foram levadas para tratamento no Rio de Janeiro.
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Relembre o acidente com o Césio-137
O acidente com o Césio-137 é considerado o maior desastre radiológico do mundo fora de usinas nucleares. O caso teve início no Setor Central de Goiânia, em uma área onde funcionava o Instituto Goiano de Radioterapia, quando um aparelho de radioterapia abandonado foi encontrado por catadores e levado a um ferro-velho.
A abertura da cápsula liberou material altamente radioativo, que chamou atenção pelo brilho azulado. Ele acabou sendo manuseado e compartilhado sem que as pessoas soubessem de seus riscos.
A contaminação se espalhou rapidamente e, ao todo, 249 pessoas foram afetadas diretamente e quatro morreram. Milhares tiveram suas vidas impactadas, incluindo trabalhadores que atuaram na contenção do desastre.
: Como o acidente radioativo em Goiânia mudou o tratamento contra o câncer